“Ninguém é igual a mim, mas chego a ser parecido com todo mundo”
Assim vivem os artistas dentro da arte.
É incrível como um ser que sorri por motivos diferentes da maioria, dança num apupú artístico quando pega a caneta, pode ver o mesmo por do sol que um civil (não artista) todos os dias, na verdade, do que são feito os artistas? Como olhar para poesia e pensar nela como a sinopse da vida? É aqui onde tudo começa...
Luanda, 29 de Abril, uma data que Maria Armando Artur e António José Gomes tiveram nos seus braços o jovem artista que inventaria o kyassambismo, “numa época não tão distante do pós independência”.
Fernando Artur gomes, responde pelo nome de Fernando
Kyassamba vulgo camisa 10 da poesia, é poeta e artista como tal. Altualmente
residente no Cazenga na província de Luanda.
Kyambassa teve uma inserção no mundo artitistico litério
razoável, considera a sua experiência moderada e durante a conversa que teve conosco deu nota positiva a sua trajectória artística. Mas como dizem por aí,
as preliminares representam o sucesso da ação praticada antes do acto, então,
seguimos adiante e tentamos entender Fernando dentro da sua arte.
“SOU UM ARTISTA PROPRIAMENTE DITO, E FAÇO ARTE DE FORMA PROFISSIONAL”
Preâmbulo
ROC: Quando é que o
Fernando se assume como poeta?
KYASSAMBA: Eu me assumo como poeta já algum tempo, mas foi em 2013
pra 14 que começo a ver que a literatura vai muito além de esperar pelos
eventos que dão primazia a arte poética.
Por exemplo: Poesias a céu aberto, artes ao vivo e muitas outras actividades. “Na época”.
Comecei
a ver a poesia com outros olhos, comecei a pisar em palcos que antes via de
longe e a sentir o feedback do público. Passei a sentir que de facto eu já não
era um mero artista, as responsabilidades tinham aumentado.
Mas em virtude de algumas exigências acadêmicas tive de dar uma pausa.
ROC: como era a poesia de Fernando Kyassamba nesta época, nos
conta sobre o amadurecimento da sua escrita?
A escrita não é só tirar as ideias da
mente pra o papel
KYASSAMBA: Nos finais de 2013-14, a minha poética, não era
propriamente a poética que eu chamo hoje.
Obviamente
que estávamos a começar, à minha poética naquela altura era muito mais vaga,
confesso, eu tinha alguns itens. E sempre gostei de fazer investigações, saber
o que é um texto literário, o que é poesia, mas não é era bem propriamente a
poética que eu queria alcançar. A fera poética que hoje chamo Kyassambismo teve
de ser desenvolvida.
Então,
de lá pra cá desenvolveu bastante tanto é que a partir de 2017 comecei a sentir
a necessidade de publicar os meus textos, não só nas redes sociais, mas também
em antologias e coletâneas nacionais e internacionais.
ROC:
Quais os elementos contribuíram para o amadurecimento da sua escrita, pra
atingir o tão estimado kyassambismo?
KYASSAMBA: O que esteve na base do meu amadurecimento, foram
elementos simples. Investigações e contacto direto com outros artistas e ter
ousadia de sempre ler.
Quando
nos paramos para redigir um texto literário, um poema ou um conto é muito
consequência também das nossas leituras, mas eu preso muito o meu contanto com
a sociedade, são os mujimbos de daqui e acolá que nos levam a escrever textos
dignos de realce.
ROC:
Quais os são os escritores que o Fernando olha como influenciadores da sua
escrita?
Kyassamba: Consequentemente quando lemos nos identificamos com um ou
outro escritor. Eu sempre tive o cuidado de não me manter preso a uma linhagem
só.
Claro
que tenho alguns escritores como referências a citar: José Luís Mendonça,
gosto do jeito que ele trabalha as palavras, gosto da poética de Agostinho Neto, ele trás consigo a
nossa identidade, João Tala, José Eduardo Água Lusa. A muitos escritores que influenciaram de modo
especial a cada modalidade ou cada gênero que faço.
ROC:
Ao ter identificado esses escritores, nos sentimos obrigados a fazer a seguinte
questão. O que caracteriza a nossa identidade dentro da escrita?
KYASSAMBA: Eu tenho dito assim de forma, mas minha que literatura é a
arte de trabalhar as palavras, é a arte que tem a palavra como matéria prima.
Só o jeito quando a gente escreve o jeito que a gente fala é uma identidade,
logo, a gente pode passar isso quando formos redigir um texto.
O
jeito que você cria os ambientes as historia todo pacote envolvido na
desenvoltura do texto, vai muito trazer a nossa cultura.
ROC:
Já agora, quer nos contar qual é percepção que tem sobre o que é cultura?
KYASSAMBA: Pra mim cultura é um conjunto de vivências. E elas são
feitas constantemente e de forma natural.
ROC:
E como é que o Fernando reflete a nossa cultura nas suas escritas?
KYASSAMBA: Trazer a nossa cultura vai muito mais além do uso de
termos propriamente nossos. Eu pelo
menos procuro falar de coisas que tem haver conosco. A título de exemplo, eu
escrevi um texto em virtude da dificuldade da escassez de água potável, neste
texto eu não usei somente as palavras típicas do angolano, o ambiente e os
personagens são detalhes que qualquer pessoa em contacto com o texto saberia
que isto é angola.
Desvios
ROC: Falou-nos sobre os escritores e autores que muito
influenciaram a sua escrita, queremos saber do Fernando, como tem visto o
dialogo cultural existente entre a velha guarda e nova geração de autores e
escritores?
Kyassamba: Eu fico muito divido a dar a minha opinião sobre essa
questão, falo na primeira pessoa que tem alguns escritores da velha guarda que
têm esse carinho com os jovens. Eu sou um seguidor de José Luís Mendonça e João
Tala, eu sou seguidor deles e eu vejo, sinto a preocupação deles ainda com os
jovens.
“Mas são dos poucos, Na minha opinião!”
Por conta da atenção dos mas velhos não ser assim tão ferrenha tem se notado muita deturpação naquilo que é poesia propriamente dito. Se bem que defendo que toda arte deve ser revolucionada, mas revolução numa arte ou numa determinada coisa não pode fazer com que se perca a essência.
Síntese
Actividades
como as do movimento Lev’Art, levaram Fernando a conhecer muitas pessoas
influentes no mundo artístico literário, o que resultou num aprendizado rico e
muitas das coisas que sabe sobre poesia hoje também aprendeu lá e com muita
dessas pessoas.
O
que também o ajudou quando foi convidado a iniciar certos núcleos e grupos
artísticos.
Mas foi no Nomad’Art que o camisa 10 se constrói como artista. Junto de amigos e outros artistas periféricos, num espaço para debater a arte e experimentar a poesia como ferramenta de afirmação e mudança.
“Não se falava de
Fernando Kyassamba
sem falar de Nomad’Art”
Também
devemos ressaltar a pessoa de Iadiro Barroso e zoe Kifembi. Organizadores do
orgasmo literário um projecto em que Fernando Kyassamba tornou-se lenda,
afirmou durante a nossa entrevista.
Ouve falar pela primenra sobre as competições de poesias faladas e performances (slams), em 2017. Um pouco mais curioso do que hoje, nesta altura o inventor do Kiassambismo armadilhou a mente e a caneta, mas não participou, apenas assistia aprendendo com quem sabia fazer. Ele relembra que houve uma vez que tinha sido convidado não como concorrente, mas para um momento livre do evento (open Mic), e isso o marcou. Mas hoje, já em 2025 Fernando conta com, mas aparições em concursos de poesia do que em slams.
Tem participação em muitas antologias e coletâneas, mas ele destaca dentre as lançadas, TRANSLUCIDO, lançada no formato digital, A GENTE QUE CONHEÇO e CANDONGUEIRO. Essas obras deram ao camisa 10 uma visibilidade muito grande, de modo que que as pessoas passaram a olhar pra ele não apenas como declamador. A nível internacional se destaca ENTRE VERSOS CONTOS E PROSAS.
Fernado
sempre sonhou se estrear como autor único no mercado literário com uma obra do
gênero poesia.
Sugestão do autor:
Obras
que tem como leituras obrigatórias
ENTRE O CAOS E FLOR- foi organizada por Irene Guerra;
A CASA DOS ESTUDANTES DO IMPÉRIO
#Esperamos que está leitura tenha servido de inspiração para si, a guerra se ganha lutando, então, seja você o heroi da tua própria vida.
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